quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Silence of the lambs…

Hoje numa conversa “como quem não quer a coisa” com uma grande amiga, acabo por constatar – não que não soubesse, mas dito por outros é sempre mais real – que tenho um grave problema. Fico no silêncio nos momentos em que as palavras seriam importantes para resolução de conflitos. Isto é um problema que me acompanha não só a nível de relações pessoais, mas também a nível profissional. Porque me custa falar? Não é que me custe falar, porque falo como uma gralha. Apenas me calo quando as coisas são sérias. O motivo? Medo de ferir susceptibilidades, talvez. Medo do confronto, talvez. Mas prefiro acumular sentimentos a partilhá-los… O problema é que acumulo, acumulo, acumulo… e eventualmente expludo, qual panela de pressão aberta antes de tempo.  Tenho vindo a melhorar, ainda assim de vez em quando lá se vai mais uma pessoa importante por causa deste meu “tendão de Aquiles”. Quando falo é, geralmente, tarde demais e, pior que isso, alto demais.

Mas nunca é tarde para melhorarmos, certo? E o primeiro passo é o reconhecimento. Algum conselho? (Como diz o meu irmão, se os conselhos fossem bons, vendiam-se, não se davam. Mas mesmo assim arrisco.)

Um beijo com saudades…

3 comentários:

Teresa disse...

Eu até te deixava conselhos, mas também tenho um bocadinho grande desse problema! Por isso é melhor não... Eu tento respirar fundo nos momentos chave e tento comportar-me como uma pessoa civilizada! Mas isso cansa muito!!! Não consegui fazer isso muitas vezes ainda!:)

Pedro disse...

Já somos dois com esse feitio mas parece haver mais, a avaliar pelos comentários.

Não temas nunca dizer aquilo que sentes. Imagina uma semente. Depois de a lançares, ela fica bem lá no fundo, apertadinha entre terra e pedras, escondida e quase esquecida. Porém, um dia germina, luta pelo Sol, dá planta e fruto. Já não volta atrás. Se a terra for boa, o fruto será bom, talvez melhor que o original. E assim continuará a reproduzir-se e as pedras não serão um impedimento.

As palavras que disseres podem ficar esquecidas como as sementes, silenciadas e esmagadas pela amargura, talvez por terem sido ditas alto demais. Mas se forem sinceras e razoáveis e os corações que as acolherem forem bons, elas acabarão por se fazer ouvir e hão-de aproximar-te deles. Verás então reconhecida a razão que te negaram antes e a amargura dará lugar à satisfação.

Nesta safra, algumas sementes irão perder-se ou darão maus frutos, tal como algumas palavras que disseres não farão efeito ou te afastarão de quem as ouve. Deixa lá, a vida é assim mesmo.

Anónimo disse...

Há coisas que não se ensinam nem se transferem através de conselhos é uma questão de sensibilidade e perspicácia. É uma questão de dizer o acertado no momento certo e é um dom que se tem ou não (assertividade sem ferir susceptibilidades). Provavelmente poder-se-á melhorar com o tempo, mas ou se tem essa argúcia ou não se tem. Dependendo do tipo de confronto julgo que será bom abrir o jogo e demonstrar o que se pensa. Por vezes quando não se tem a certezas mais vale fazer como dizes “acumular” e deixar para mais tarde jogar os trunfos numa mão. Sei que foi bla bla e n serve de muito :)