sábado, 7 de novembro de 2009

Nunca digas “desta lesma não comerei”

Ah, pois é. Este foi o meu primeiro pensamento no meu segundo dia na China. Olhei para umas coisas esquisitas, quais lesmas marinhas num aquário do hotel e pensei: “Não me digas que eles comem mesmo disto?! Nãaaa, que disparate, isto é só para ornamentar.”

Isto foi só até os “ornamentos” me virem parar à taça da sopa ao almoço. Iguaria caríssima, dizem eles, e eu, como convidada de honra, não podia dizer que não. E foi assim que comi o chamado “sea cucumber” (ou em Português: pepino do mar, que de pepino não tem nada, até porque é (era) um SER VIVO, UMA CRIATURA.. feia, vá, MAS COM VIDA!!!). Comi-a em 5 bocados. Deviam ter sido 6, mas armei-me em gulosa e pus um bocado muito grande na boca e tive de mastigar. Erro, erro, erro gravíssimo! Confesso que me vieram as lágrimas aos olhos (e o bolo alimentar parecia querer regurgitar qual ruminante, mas poupo-vos os pormenores de Engª Zootécnica) mas este sentimento foi só o primeiro de muitos durante esta semana na província de Sandong, a Sul de Pequim, China.

Nesse almoço comi iguarias várias. O quê? perguntam vocês, caríssimos leitores (os que tiveram estômago para aguentar esta história até aqui). Não sei… nem quero saber… chamemos-lhes as partes-que-não-sei-nem-quero-saber-de-que-animal-um-dia-pertenceram ou OANI (objecto alimentar não identificado).

Mas pensam que isto se ficou por aqui??? Ah! Enganam-se! O melhor foi mesmo ter sido obrigada, qual caloira na Universidade de Évora, a beber shots de vinho (???) Chinês, com 40% de volume, ao mesmo tempo que tentava preencher o vazio do estômago… Ora este vinho chinês é feito de milho e trigo e sabe nem mais nem menos do que… a SILAGEM! Sim, eu sempre disse que a silagem cheirava bem, mas não ao ponto de a beber em suminho. E pior, à medida que ia bebendo um cheiro a amónia subia-me pelas narinas e por momentos pensei que estava dentro de uma exploração de codornizes que um dia visitei (e onde quase desmaiei tal não era a saturação do ar com amónia). Melhor que isso é que o cheiro persegue-nos durante a refeição.

CIMG0855(as lesmas, 5.8 euros por unidade…)

 

 

 

 

 

 

CIMG0857 (os camarões que não eram camarões e sabiam a borracha)

 

 

 

 

CIMG0865 (safei-me destes, fritos!)

 

 

 

 

 

 

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(Não perguntem o que são… estavam vivos…)

 

 

 

 

Não quero ser chata nem demasiado descritiva, mas comi coisas que sempre me tinha recusado a comer, como é o exemplo de língua de vaca (essa comi mesmo crua, cortada em fatias finas, como presunto….mmmmhhhh, que bom!). Escapei aos testículos do senhor macho… por pouco. Mas a coisa ficou feia quando me quiseram enfiar um besouro.. sim! um BESOURO FRITO no prato. Aí, estava já disposta a esquecer que as pessoas da mesa eram clientes que compravam toneladas do produto por mês e levantar-me e sair, mas felizmente tive ajuda do meu colega e safei-me. Foi outra das vezes em que os meus olhos brilharam em sinal de desespero.

Bom, a minha curiosidade em termos da cultura Chinesa foi satisfeita. Percebi que as salas fechadas onde eles comem nos filmes podem ser verdadeiras salas de tortura para Ocidentais. Foi uma semana a comer nelas.  À mesa redonda senta-se o anfitrião (virado para a porta e a controlar a sala toda), do lado direito deste, o convidado mais importante que é servido sempre em primeiro lugar (neste caso fui sempre eu! upa, upa) e do lado esquerdo o 2º mais importante. São penalties de bebidas alcoólicas atrás de penalties e não há “nãos”. Ou bebes, ou bebes!

Foi uma semana tão divertida que aprendi algumas palavras:

“Gampé” = Saúde (brinde)

“Ipa” = metade / meio (enquanto me recusava a beber copos inteiros).

“Cola” = chega / já não há mais nada para ninguém.

“Pai Ju” = o tal do vinho/silagem amoniacal

“Pi Ju” = cerveja (sendo que a melhor marca, e que me poupou de uma 2ª experiência com o vinho, é a TsingTao).

A semana acabou com umas ostras gigantes cozidinhas e bem inchadinhas. Como não consegui morder, de tão fibrosa que era (e não se esqueçam que tudo isto foi comido com paus chineses) meti-a toda na boca. E uma coisa daquelas não se engole sem mastigar (se o tivesse feito podia ser que desmaiasse e assim já me poupavam de uma segunda dose). Mas não! Mastiguei, empanturrei-me de chá verde para obrigar a coisa a descer e evitar que o resto subisse…. E pimba! Tive de comer outra, que era para não me ficar a rir.

Olhem, só vos digo isto… As lesmas e as ostras não se dão bem. Estou há 9 horas em jejum e só de pensar em comer… yuck!

Eu sempre fui esquisitinha, mas também não precisava de uma lição tão grande. Ai de quem me disser para comer caracóis… Com o tamanho daquela lesma, já comi caracóis até ao resto da minha vida.

E a pedido de algumas famílias (ok, vá, foi só uma pessoa, mas um “cliente assíduo” do blog, aqui vai uma foto minha…com um deles, pois claro! gordíssima!!!CIMG0853

Um beijo com saudade… (E a caminho de Bali, que bem mereço)*

* Post escrito no aeroporto de Singapura mas só online à noite, já em Bali.

2 comentários:

Teresa disse...

Não consigo deixar de dizer "QUE NOJO"!!!!!!!!!!!!!! E "QUE CORAGEM"!!! blhaccccccc!

intercromo disse...

Que inveja.
Podia não comer por não gostar mas que gostaria de tentar gostaria.
Não acredito que se possa comer tudo o que se mexe porém comemos tanta coisa que se mexe e também é tão porco. (Porco entenderão)
B.J. do teu irmão maiiiiis velho.