domingo, 20 de maio de 2012

Voltar ou não voltar, eis a questão...

A pedido da mergulhadora decidi reflectir e escrever um pouco sobre o porquê de não voltar a lugares onde já fui feliz. Ora então vejamos: já fui feliz em muitos lugares (na verdade sou a pessoa com um poder de adaptação muito grande e isso é meio caminho andado para se estar bem em várias ocasiões). Na Holanda quando fiz o meu Erasmus, em Évora quando estive na faculdade, em Bruxelas tive alguns momentos bons, muito embora o balanço geral talvez não seja assim de felicidade suprema, na Áustria, ui, quanto trabalho e quanta festa e quantos amigos bons e bons amigos!
Na realidade, sempre que me perguntam se gostaria de voltar atrás ou a algum acontecimento ou fase minha vida, eu digo que não. Os momentos passados só fazem sentido porque houve determinado cenário envolvente e, acima de tudo, certas pessoas que os partilharam e, sendo que voltar a esses lugares implicaria um retorno solitário ou com diferentes pessoas, prefiro ficar no presente.
Acredito que haja algo de verdadeiro nesse ditado "não voltes a lugares onde já tenhas sido feliz". Sempre que vou a Évora, por exemplo, para "mostrá-la"a alguém sinto um aperto no coração. Lembro-me dos tempos de caloira, do calor intenso no verão, do frio de inverno, das historias de estudante, do grupo das 4 que éramos, do prof Vacas, das aulas de mecânica, da risota por causa do Bagão Felix (private joke), da meu carocha, da coluna que não podia ser passada sob o risco de não acabarmos o curso, e fico com aquela nostalgia de que hoje nada faria sentido porque já lá não estão as mesmas pessoas. Ou mesmo estando, não faria sentido porque já estamos numa fase de vida diferente. Isto é um pouco como as famosas reuniões de turma (5,10, 30 anos depois): porque é que só se fala sobre historias passadas? Provavelmente porque hoje em dia essas pessoas pouco têm em comum. Elas tentam voltar a esses lugares através de memórias, sendo que a maioria das vezes o resultado não é muito positivo (eu pessoalmente gosto pouco dessas trocas de historias passadas, até porque regra geral sou das que tem pior memória)...

E pronto, agora é tempo de criar novas historias, fazer novos amigos e ser feliz noutro lugar.

Um beijo com saudade.

5 comentários:

Calíope disse...

Alles klar! Eu pensei que estivesses a falar de algo muito mais específico. No entanto, falando do regresso nesta perspectiva não poderia estar mais de acordo e não me agrada especialmente essas revisitações ao passado. Não gosto de olhar para o passado como aquela época gloriosa, como o Jardim do Éden onde tudo era permitido e blá-blá-blá. Arriscando-me a ser mal interpretada, o meu presente é tão mais fabuloso... Por outro lado, numa vertente mais prática, quem passa a vida a olhar para trás, não deve olhar assim tanto para a frente (futuro) e esse sim dá para mudar!

Anónimo disse...

Sabes como eu distingo a verdadeira amizade? Pois os colegas de escola, faculdade, etc, quando deixamos de os ver durante muitos anos e o reencontro é o pegar no fio da conversa e continuar, como se tivesse sido ontem...Só a verdadeira amizade permanece para alem da vida. Beojos

Nenas disse...

Caro anónimo, cada um tem a sua maneira de ver as coisas e por isso de viver as amizades. Eu cá partilho o meu dia a dia com os meus amigos, por email, por telefone, por contactos pessoais sempre que possível. Rio-me e fico feliz pelas conquistas dos meus amigos, sofro com as infelicidades, perdoo-os quando há desentendimentos, rimo-nos sempre que possível. A amizade para mim só faz sentido se for assim e se for reciproca. Mas isso claro dá um bocado de "trabalho" e exige bastante investimento de tempo e emoções. Mas se vale a pena? Oh sim, se vale. É porque eu não quero amizades para além da vida, prefiro amizades que vivam a vida comigo.

Bruno Pascoal disse...

Já houve quem escrevesse uma canção sobre isso:

http://www.youtube.com/watch?v=JjAz-AtGO5M

Bruno Pascoal disse...

Já houve quem tivesse escrito uma canção sobre isso:

http://www.youtube.com/watch?v=JjAz-AtGO5M